quinta-feira, março 30, 2006
E a mim que não me apetecia nada mostrar este post...
Já passou quase um mês desde que Vasco Pulido Valente escreveu isto no seu blog entretanto desaparecido (5 dias depois!):

"A hipotética "dra." Clara Ferreira Alves (chegou com dificuldade ao actual 12º ano), crítica literária que leu (jura ela) "os clássicos", especialista do último escritor inglês com quem almoçou, autora de um romance anunciado em 1984 e nunca até agora publicado, dona de uma coluna ilegível (e bem escondida) na "revista" do Expresso, foi um dia arvorada directora da "Casa-Museu Fernando Pessoa" pela conhecida irresponsabilidade de Pedro Santana Lopes, de quem ela tinha sido uma entusiástica partidária. Daí em diante, a importantíssima Ferreira Alves e o "Pedro", como ela dizia, ficaram muito amigos. Tão amigos que a "dra." Clara apareceu um dia presuntiva directora do "Diário de Notícias", coisa que me levou a sair antes que ela entrasse. Felizmente, não entrou, porque teve medo de cair na rua entre o "Expresso" e o DN, com a reputação de uma "santanete" obediente. Agora, morto o seu patrono, não perde uma para o maltratar, supondo que demonstra "independência". Ontem, a propósito de um "Audi", que o homem comprou, despejou em cima da cabeça dele todo o lixo do mundo. Santana não aprendeu que a certa espécie de pessoas não se fazem favores.Se a "dra." Clara me quiser responder, sugiro que me responda em inglês e não meta na conversa a sua célebre descrição do pôr-do-sol no Cairo. Muito obrigado.
vpv"


E pronto... já está reproduzido!
Foi sem querer.
Desculpem lá qualquer coisinha, mas ainda não estou em mim. Deve ser da falta de ar que o riso compulsivo provoca!
posted by George Cassiel @ 5:58 da tarde   0 comments
quarta-feira, março 29, 2006
V Edição do concurso O Escritor Famoso - Actos de Cinema
As imagens de cinema têm esse poder extraordinário de criar sensações-pensamentos. Elas são sensações-pensamentos! Louco, o Escritor Famoso sugeriu-me que vos desafiasse a imaginar um acto de cinema... sem câmara. Diz-me que, de qualquer forma, os cineastas só se servem da câmara para a "suprimir".

Eu sei que é impossível escrever imagens sonoras. Mas peguem na vossa experiência mágica de ser espectador de cinema, e ofereçam-lhe o vosso acto de cinema possível. Sem audio-visual, como criar actos de cinema? Pensando imagem, amando imagem, esperando imagem, dirigindo os olhos.
Seleccionem o filme da vossa vida e acrescentem-lhe um novo acto. Envolvam-se com aqueles heróis de cinema que ousaram piscar-vos o olho. Façam-nos sair da tela, qual Cecilia na Rosa Púrpura do Cairo, para voltarem a lá entrar diferentes, ou mergulhem vocês no universo deles e deixem que eles vos transformem em radiação.
Imaginem realidades e imagens e fusionem-nas. Criem sentidos. Inventem diálogos.

Ver tudo aqui. Participem!

Parabéns, mais uma vez, à promotora.
posted by George Cassiel @ 10:24 da manhã   1 comments
Se o ridículo matasse!
Margarida Rebelo Pinto tenta impedir livro crítico
por Isabel Lucas, no DN de hoje.

Ontem, ao final da manhã, o blogue Esplanar dava a notícia. A escritora Margaria Rebelo Pinto e a editora Oficina do Livro interpuseram uma providência cautelar no sentido de impedir a publicação do livro Couves & Alforrecas, Os Segredos da Escrita de Margarida Rebelo Pinto, no qual o crítico João Pedro George analisa a obra da autora de Não há Coincidências."
O documento tem por base o crédito ao bom nome", declarou ao DN Valter Hugo Mãe, editor da Objecto Cardíaco, casa que anunciou para início de Abril a publicação do livro de João Pedro George. Ainda segundo Hugo Mãe, "a argumentação dos requerentes (Oficina do Livro e Margarida Rebelo Pinto) baseia-se no pressuposto de que o texto em causa pode prejudicar as vendas da escritora e que o nome Margarida Rebelo Pinto é uma marca registada que, como tal, não pode ser usado sem autorização prévia".
O livro em causa parte de um texto crítico que João Pedro George publicou no blogue Esplanar, a 4 de Outubro de 2005, e que, dois dias depois, deu origem a um artigo no jornal 24 Horas, sob o título Só Copianço. Serão alegadamente estes dois textos a servir de fundamento à providência. "É uma peça processual baseada num livro hipotético e que se fundamenta em reacções que existiram enquanto o texto esteve publicado no blogue", afirma Valter Hugo Mãe, acrescentando que, até agora, nem a escritora nem a editora tiveram acesso ao texto do livro.
Partindo do pressuposto de que o livro de João Pedro George já se encontrava à venda, o documento pedia que os exemplares existentes fossem entregues na sede da Oficina do Livro. Mas segundo declarou ao DN o editor da Objecto Cardíaco - citando o juiz da 8.ª Vara Cível da Comarca de Lisboa - "'inexistem motivos suficientemente ponderosos que nos levem a postergar o contraditório'. O que significa que acha que deve haver lugar ao contraditório. É o que vamos fazer: contestar. Temos dez dias para o fazer."
O nome
Em causa estará o artigo 72, alínea 2 do Código Cívil, sobre o direito ao nome. "O titular do nome não pode, todavia, especialmente no exercício de uma actividade profissional, usá-lo de modo a prejudicar os interesses de quem tiver nome total ou parcialmente idêntico; nestes casos, o tribunal decretará as providências que, segundo juízos de equidade, melhor conciliem os interesses em conflito."
António Lobato Faria, responsável pela Oficina do Livro, justificou a decisão de avançar com a providência com o que considera ser "um caso evidente de uma pessoa que quer usar o nome da Margarida Rebelo Pinto para ganhar dinheiro". Escusando-se a adiantar pormenores do documento, alegando que não quer "alimentar polémicas", Lobato Faria acrescentou que o que está em causa "não é impedir a crítica". "Até porque" - disse - "já muita gente criticou a Margarida, mas é a primeira vez que alguém tenta usar o nome dela para ganhar dinheiro. Avançámos para a providência cautelar porque vivemos num estado de direito e não se pode usar um nome para proveito próprio", acrescentou ao DN o editor, duas semanas antes de lançar um novo título de Margarida Rebelo Pinto: Diário da tua Ausência.
Dizendo estar a falar em seu nome e no da escritora - e para sustentar a sua posição -, Lobato Faria sublinha o facto de o referido texto ter sido retirado da blogosfera pouco tempo depois da sua publicação. "A crítica desapareceu para rentabilizar o livro." Quanto ao conteúdo, disse apenas tratar-se de "um estudo divertido" mas, adiantou, "já li críticas mais interessantes e mais respeitosas".
"Caso mental"
Entre os argumentos apresentados para tentar impedir a publicação de Couves & Alforrecas... estarão declarações de João Pedro George publicadas no jornal 24 Horas, de 6 de Outubro de 2006. "Argumentam que o João Pedro se referiu a Margarida Rebelo Pinto como um caso mental, como se com isso ele quisesse ofender a pessoa, estivesse a difamar. Isso é descontextualizar", sustenta Hugo Mãe. "Nunca foi minha intenção ofender a pessoa da Margarida Rebelo Pinto. Não tenho nada em particular contra ela", referiu, por seu lado, João Pedro George ao DN, salientando que a expressão "caso mental" é retirada de um texto de Fernando Pessoa.
João Pedro George, professor de Sociologia da Cultura na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, refere-se ao artigo O Caso Mental Português, publicado no livro Aviso Por Causa da Moral (Hiena, em 1993, orginal de 1932). Lamentando que uma atitude "censória como esta" tenha partido de uma escritora, "alguém cujo trabalho deve alicerçar-se na liberdade de expressão", o crítico cita o poeta para justificar a expressão: "Os nossos escritores e artistas são, porém, originais uma só vez, que é a inevitável. Depois disso, não evoluem, não crescem; fixando esse primeiro momento, vivem parasitas de si mesmos, plagiando-se indefinidamente." Em sua defesa e do seu autor, Valter Hugo Mãe adianta: "Tem a ver com o autoplágio e não com desaforo."
posted by George Cassiel @ 10:06 da manhã   0 comments
terça-feira, março 28, 2006
Inicia-se a batalha!
Eduardo Pitta desfere o primeiro golpe.
Segue-se Francisco José Viegas.
Haverá resposta?
posted by George Cassiel @ 5:31 da tarde   0 comments
quinta-feira, março 23, 2006
24H de poesia em St. Tirso
Há iniciativas assim! Com sentido... parabéns pela magia das coisas simples, pelo amor à palavra.
E, já agora, parabéns ao Alberto Serra, esse militante poético.

Aqui, diz-se mais.
posted by George Cassiel @ 9:51 da manhã   0 comments
A visitar
Jorge Letralia

"Este es Nacho Padilla, un escritor mexicano cuya peculiar obsesión por Satanás lo ha llevado a afirmar que su idolatrado ángel del mal está muy acendrado en la literatura española y que, de tener nacionalidad, sería español. Padilla acaba de publicar El diablo y Cervantes, donde desarrolla una tesis según la cual Don Quijote de La Mancha es en realidad una novela diabólica..."

para ler mais no Blog!
posted by George Cassiel @ 9:46 da manhã   0 comments
terça-feira, março 21, 2006
No dia mundial da poesia
uma prenda da Silvia Chueire:

cresce-me das mãos

cresce-me das mãos o poema.
não sei bem como acontece
a transformação do olhar
num oceano de interrogações
sobre as pernas da vida.
onde nos levam?

as palavras nascendo
a carregarem-me o sonho,
a fazerem-me mais do que sou.
e sonho porque sou mulher,
porque sou humana sonho
e caminho entre a morte
e a paixão como se fossem terrenos conhecidos.
são estas palavras a surgirem-me das mãos,
esta loucura mansa
a desorientar-me.
já não sei se sou eu, se sou elas,
e me amedronto e rio e caminho pelas ruas
a cantar amorosamente.
a olhar ternamente as nuvens, as casas.
e apaixono-me pelo mundo,
e o dia levanta-se sem que a vida perceba.

vem a noite a invadir os corpos, as casas,
as casas precárias.
as vozes murmuram porque são sabem falar,
o amor é proibido para elas.
mas o poema sai-me das mãos,
diz bom dia ao meu amor
que já não sabe.
e dirá boa noite outra noite
nas linhas dos versos.

tenho pena das pessoas que não sabem
ver a palavra, esta invenção atual
e a sua antiquíssima existência.
tenho pena das pessoas que não vêem
o amor, a invenção dele a cada minuto.
sua história, remota como homens e mulheres
tenho pena das pessoas que não sabem o beijo
a cantar nas nossas bocas e línguas
a caminhar pelo corpo
e ressurgir nas mãos : poema
posted by George Cassiel @ 9:35 da tarde   1 comments
Razões de intermitências
O pensamento perde-se em outras avenidas, nas leituras e releituras em mãos, noutras escritas e ideias... mas este Blog permanece.

A propósito de "outras ideias", tem sido interessante acompanhar a discussão em torno da nova obra do filósofo-pop (permitam-me esta classificação) Bernard Henri-Levy: American Vertigo. Entrevistas, blogues, apresentações, debates, discussões, textos, críticas... muito se tem dito.

Procurem que vale a pena... nem que seja pela discussão.


Ed. Grasset
Présentation de l’éditeur:
"Depuis la deuxième guerre d'Irak - et même bien avant... - les Etats-Unis occupent, dans l'imaginaire mondial, une place symbolique qui dépasse largement les notions de puissance, de politique, de géographie. L'Amérique, en vérité, est devenue un concept, une « région de l'âme », une matrice de passions et de phobies dont le déploiement contradictoire n'en finit pas d'infuser nos propres débats. C'est, précisément, cette réalité ontologiquement diverse que Bernard-Henri Lévy a voulu cerner, observer, penser, dans ce livre où le reportage se mêle à la réflexion, et où le pittoresque emprunte à la philosophie de l'histoire. A l'origine, ce livre est né d'une « commande » de l'influent magazine « Atlantic Monthly » : demander à un célèbre intellectuel français de visiter l'Amérique et de donner sens à ce pays-continent en refaisant - en plus vaste - le fameux voyage qu'Alexis Tocqueville avait entrepris au début du XIXème siècle, à partir duquel il avait écrit son désormais classique « De la démocratie en Amérique ». Pendant une année, B.-H. Lévy a ainsi sillonné les Etats-Unis. Plus de vingt mille kilomètres d'est en ouest et du nord au sud, la plupart du temps par la route : de Rikers Island à Chicago, des communautés islamiques de Detroit à une enclave Amish de l'Iowa, l'auteur interroge la nature du patriotisme américain, la coexistence de la liberté comme de la religion, le système pénitenciaire, la « tyrannie de la majorité », le retour en force de l'idéologie... B.-H.L. a rencontré tous les visages de l'Amérique : les illustres, les anonymes, ceux du désert ou des mégapoles. De Sharon Stone à une veuve de mineur du Wisconsin, d'un milliardaire philantrope à Norman Mailer, de Woody Allen à un « homeless » de Californie, d'Hillary Clinton à un contestataire turbulent, de Barack Ohama, la star montante de la politique, à la pensionnaire d'un bordel du Nevada, il écrit la comédie humaine de ce pays-continent. D'où la vitalité prodigieuse de ce « reportage philosophique » qu'on dévore, page après page, avec un enthousiasme qui ne se dément jamais. Un oeil de romancier, et une profondeur de penseur. Les conclusions de ce voyage ? B.-H.L. les tire en chemin, et elles sont souvent contradictoires. A l'heure où la « démocratie en Amérique » est de plus en plus contestée, ce livre atteste, au contraire, de sa prodigieuse vitalité. A cet égard, l'épilogue substantiel de ce livre (une centaine de pages) permet au « philosophe » de reprendre le pas sur le « journaliste » et le final de cet ouvrage conduit son lecteur au coeur des grands débats - des thèses de Fukuyama ou Huntington aux arrières-pensées des « Néo-conservateurs » - dont la complexité, bien souvent, gouverne le destin du monde."
posted by George Cassiel @ 11:19 da manhã   0 comments
Saltos quânticos...
Aos amigos também se perdoam os exageros! É o caso do comentário da Sónia!

Este blog tem sofrido de intermitências crónicas... por falar em crónicas, vale a pena ir aqui.
posted by George Cassiel @ 11:16 da manhã   0 comments
Serviço Noticioso!
À mesa com Júlio Verne
21 de Março
20h00


…Pelas onze horas sucede um caso feliz. O mestre, que logo pela manhã deitou as linhas ao mar, não se enganou desta vez. Com efeito, apanhou três peixes. São três grandes, de oitenta centímetros de comprimento, pertencentes à espécie que, depois de seca, é pelos Ingleses chamada stockfish.
Mal o mestre tira os peixes da água, logo os marinheiros se deitam a eles. O capitão Kurtis, Falsten e eu corremos em auxílio do mestre e logo se restabelece a ordem. Três bacalhaus pouco é para catorze pessoas, mas todos recebem o seu quinhão. Uns, e são os mais, devoram o peixe cru, bem se pode dizer vivo. Robert Kurtis, André Letourneur e miss Herbey conseguem dominar a fome. Acendem um punhado de aparas a um canto da jangada e assam o peixe. Por mim não tive ânimo para tanto e comi-o ainda sangrento!

VERNE, Júlio – A Galera “Chancellor”. Barcelona:
RBA Coleccionables, S.A., 2003. p. 174 e 175

No dia 21 de Março, terça-feira pelas 20h00, no Restaurante do Crasto no Campus da Universidade de Aveiro, realiza-se mais um “À mesa com Júlio Verne”.
Pretendemos com esta iniciativa juntar o ambiente literário das aventuras descritas por Júlio Verne à mestria da culinária inspirada do Chef Michel com as razões culturais e científicas que levam a juntar alimentos e especiarias para conseguir o sabor que irá proporcionar o prazer gustativo e o apetite pela conversa à volta das questões culinárias, químicas e literárias.
A Cozinha é um Laboratório da Fábrica alia-se à arte culinária e à literatura para, de uma maneira diferente, transmitir e proporcionar o gosto pela Comunicação de Ciência.

O jantar, confeccionado e apresentado pelo Chef Michel, é servido com informação sobre os produtos confeccionados. Os monitores da Fábrica Ciência Viva servem à mesa com informação que ajudará na completa degustação deste jantar.
Ao longo da noite são várias as razões para as atenções se levantarem da mesa e enriquecerem com outros prazeres. Nomeadamente, a leitura de trechos do livro A Galera “Chancellor” e a apresentação O Bacalhau – Diferentes formas de conservação pelo Engenheiro João Vieira da empresa Pascoal &Filhos onde ficarão claras as diferenças entre stockfish e bacalhau, e modos de produção.

Este evento, promovido pela Fábrica Centro Ciência Viva de Aveiro, obteve o apoio entusiasmado das empresas Pascoal e Filhos Lda. e Caves Aliança.

EmentaEntrada
Mesclin de saladas com lascas de bacalhau fresco salteadas com uma composição de alcaparras, cubos de limão e cubinhos de pão frito
Espumante Bairrada Reserva Bruto 2000

Prato
Guisadinho de feijoca com Stockfish e mariscos e o seu arroz de sustância
Aliança Galeria Branco 2005

Sobremesa
Folhado de maçã e sua mousse de hortelã acompanhado de gelado de baunilha e coulis de morangos
Aliança Particular Bruto 2000

Tel. +351 234 427 053 (859) | Fax. +351 234 426 077

mailto:fabrica.cienciaviva@gabs.ua.pt
http://www.fabrica.ua.pt/cienciaviva/
posted by George Cassiel @ 11:10 da manhã   0 comments
quinta-feira, março 09, 2006
Onde está?
Cavaco Silva tomou posse (até do site!), mas não se sabe da cultura... nem assessor, nem consultor!... Espero que seja falta de informação (minha!) ou que esteja para breve.

Por outro lado... e não sei porque me lembrei disto!... a Antena 2 passou ontem uma entrevista com Jorge Sampaio. Duas horas de boa conversa e boa música. Cultura, dirão. E esteve de parabéns.
posted by George Cassiel @ 6:34 da tarde   2 comments
quarta-feira, março 08, 2006
Escrever e o escritor
Vale a pena recuperar textos:

" Escribir es dejar de ser escritor "
por Enrique Vila-Matas.
Barcelona review número 23 marzo-abril 2001

Muchas veces me he visto obligado a contestar a la pregunta de por qué escribo Al principio, cuando era muy joven y tímido, utilizaba la breve respuesta que daba André Gide a esa pregunta y contestaba: «Escribo para que me lean.»

Si bien es cierto que escribo para que me lean, con el tiempo he aprendido a completar con otras verdades mi sincera respuesta a la pregunta de por qué escribo. Ahora, cuando me hacen la inefable pregunta, explico que me hice escritor porque 1) quería ser libre, no deseaba ir a una oficina cada mañana, 2) porque vi a Mastroianni en La noche de Antonioni; en esa película -que se estrenó en Barcelona cuando tenía yo dieciséis años- Mastroianni era escritor y tenía una mujer (nada menos que Jeanne Moreau) estupenda: las dos cosas que yo más anhelaba ser y tener.

Casarse con una Jeanne Moreau no es fácil, tampoco lo es ser realmente un escritor. Por aquellos días, yo tenía una vaga idea de que no era sencillo ni una cosa ni la otra, pero no sabia hasta qué punto eran dos cosas muy complicadas, sobre todo la de ser escritor

Yo vi La noche y empecé a adorar la imagen pública de esos seres a los que llamaban escritores. Me gustaron, en un primer momento, Boris Vian, Albert Camus, Scott Fitzgerald y André Malraux. Los cuatro por su fotogenia, no por lo que hubieran escrito. Cuando mi padre me preguntó qué carrera pensaba estudiar -é1 tenía la callada ilusión de que yo quisiera ser abogado-, le dije que pensaba ser como Malraux. Recuerdo la cara de estupor de mi padre, y también recuerdo lo que entonces me dijo: «Ser Malraux no es una carrera, eso no se estudia en la universidad.»

Hoy sé muy bien por qué deseaba ser como Malraux. Porque ese escritor, además de tener una expresión de hombre curtido, se había construido una leyenda de aventurero y de hombre no reñido con la vida, esa vida que yo tenía por delante y a la que no quería renunciar Lo que en esos días yo no sabía era que para ser escritor había que escribir, y además escribir como mínimo muy bien, algo para lo que hay que armarse de valor y, sobre todo, de una paciencia infinita, esa paciencia que supo describir muy bien Oscar Wilde: «Me pasé toda la mañana corrigiendo las pruebas de uno de mis poemas, y quité una coma. Por la tarde, volví a ponerla.»

Todo esto lo explicó muy bien Truman Capote en su célebre prólogo a Música para camaleones cuando dijo que un día comenzó a escribir sin saber que se había encadenado de por vida a un noble pero implacable amo: «Al principio fue muy divertido. Dejó de serlo cuando averigüé la diferencia entre escribir bien y escribir mal; y luego hice otro descubrimiento más alarmante todavía: la diferencia entre escribir bien y el arte verdadero; es sutil pero brutal.»

Así pues, yo en esos días no sabía que para ser escritor había que escribir, y además había que escribir como mínimo muy bien. Pero es que, por no saber, ni sabía que era preciso renunciar a una notable porción de vida si se quería realmente escribir Por no saber, ni sabía que escribir, en la mayoría de los casos, significa entrar a formar parte de una familia de topos que viven en unas galerías interiores trabajando día y noche. Por no saber, ni sabía que iba a acabar siendo escritor, pero un tipo de escritor alejado de la figura de Malraux, pues me esperaban aventuras, pero más del lado de la literatura que de la vida.

Pero escribir vale la pena, no conozco nada más atractivo que la actividad de escribir, aunque al mismo tiempo haya que pagar cierto tributo por ese placer. Porque es un placer y es -como decía Danilo Kis- elevación: «La literatura es elevación. No inspiración, les ruego. Elevación. Epifanía joyceana. Es el instante en que se tiene la impresión de que, en toda la nulidad del hombre y de la vida, hay de todos modos unos cuantos momentos privilegiados, que hay que aprovechar. Es un don de Dios o del diablo, poco importa, pero un don supremo.»

Hoy en día, con el auge de la nueva narrativa española, se dan entre nosotros dos tipos de escritores jóvenes, de escritores principiantes: por una parte, están los que no ignoran que se trata de un oficio duro y paciente, un oficio en el que se avanza en tinieblas y le obliga a uno a jugarse la vida, a arriesgar (como decía Michel Leiris) la vida como lo hace un torero; por otra parte, están los que ven en la literatura una carrera y buscan el dinero y la fama como primer objetivo de su trabajo.

No tengo alma de predicador y, además, no quiero desanimar ni a unos ni a otros, de modo que citaré de nuevo a Oscar Wilde, citaré ese consejo que le dio a un joven al que le habían dicho que debía comenzar desde abajo: «No, empieza desde la cumbre y siéntate arriba.» Gabriel Ferrater lo dijo de otra forma: «Un escritor es como un artillero. Está condenado, lo sabemos todos, a caer un poco más abajo de su meta. Por ejemplo, si yo pretendo ser Musil y caigo un poco más abajo, pues ya es bastante más arriba. Pero si pretendo ser como un autor de cuarta fila...»

Un escritor debe tener la máxima ambición y saber que lo importante no es la fama o el ser escritor sino escribir, encadenarse de por vida a un noble pero implacable amo, un amo que no hace concesiones y que a los verdaderos escritores los lleva por el camino de la amargura, como muy bien se aprecia en frases como esta de Marguerite Duras: «Escribir es intentar saber qué escribiríamos si escribiésemos.»

Plantearse escribir es adentrarse en un espacio peligroso, porque se entra en un oscuro túnel sin final, porque jamás se llega a la satisfacción plena, nunca se llega a escribir la obra perfecta o genial, y eso produce la más grande de las desazones. Antes se aprende a morir que a escribir. Y es que (como dice Justo Navarro) ser escritor, cuando ya se sabe escribir, es convertirse en un extraño, en un extranjero: tienes que empezar a traducirte a ti mismo. Escribir es hacerse pasar por otro, escribir es dejar de ser escritor o de querer parecerte a Mastroianni para simplemente escribir, escribir lo que escribirías si escribieras. Es algo terrible pero que recomiendo a todo el mundo, porque escribir es corregir la vida -aunque sólo corrijamos una sola coma al día-, es lo único que nos protege de las heridas insensatas y golpes absurdos que nos da la horrenda vida auténtica (debido a su carácter de horrenda, el tributo que debemos pagar para escribir y renunciar a parte de la vida auténtica no es pues tan duro como podría pensarse) o bien, como decía Italo Svevo, es lo mejor que podemos hacer en esta vida y, precisamente por ser lo mejor, deberíamos desear que lo hiciera todo el mundo: «Cuando todos comprendan con la claridad con que yo lo hago, todos escribirán. La vida será literaturizada. La mitad de la humanidad se dedicará a leer y a estudiar lo que la otra mitad de la humanidad habrá escrito. Y el recogimiento ocupará la mayor parte del tiempo que será así arrebatado a la horrible vida verdadera. Y si una parte de la humanidad se rebelase y se negase a leer las lucubraciones de los demás, mucho mejor.
Cada uno se leería a sí mismo.»

Leyendo a los otros o a nosotros mismos, poco margen veo yo para estallidos bélicos y mucho en cambio para la capacidad de un hombre para respetar los derechos de otro hombre, y viceversa. Nada menos agresivo que un hombre que baja la vista para leer un libro que tiene en sus manos. Habría que partir a la búsqueda de ese recogimiento universal. Se me dirá que se trata de una utopía, pero sólo en el futuro todo es posible.
posted by George Cassiel @ 9:31 da manhã   0 comments
terça-feira, março 07, 2006
E valeu a pena...
sons, voz e palavras bonitas!
posted by George Cassiel @ 6:48 da tarde   0 comments
"¿Dónde están los lectores?"
Alerta-me, e muito bem, o Carles dos "Cuentos de La Luna" para a entrevista a Ricardo Piglia conduzida por Carlos Alfieri para o Página/12:

“La literatura siempre se está preguntando por su esencia”

Ricardo Piglia traza el itinerario que llevó al lector de ser un mero apéndice externo a la literatura a un lugar de notable consideración. De él se ocupa en su libro El último lector, y sobre él debate en esta entrevista, en la que también desmenuza la lectura de los propios escritores y de la crítica literaria.



–En la apreciación crítica del último medio siglo, el lector ha pasado a ser, de un mero apéndice externo a la literatura, el coprotagonista de ella. El último lector se ocupa intensamente de él. ¿Podría trazar el itinerario que ha llevado a tan alto puesto la consideración del lector?

–Es difícil contestar, porque existen varias respuestas posibles. Una de compromiso sería: “Bueno, en realidad el lector siempre ha estado presente”. En efecto, el interés y la intriga por el lector nunca dejaron de estar presentes, más allá de que con frecuencia han protagonizado el debate literario otro tipo de cuestiones, como las experimentaciones lingüísticas, la energía de la trama, la ruptura temporal. Me parece que la idea de interrogarse sobre el lector está ligada al fin de la noción de que la literatura tendría una esencia que permitiría identificarla en el objeto mismo. Se trata de esa gran tradición anclada en los formalistas rusos y otros, que designaban como literaturidad a aquello que hace de un texto un texto literario. ¿Qué es lo que hace que un texto sea un texto literario? Esta pregunta en un momento dado intrigó poderosamente a los críticos, preocupados por determinar la cualidad específica por la cual la literatura podía ser identificada. Ocurre que la literatura tiene una particularidad que no poseen otras artes y es que, como utiliza el lenguaje natural, siempre se está preguntando por su esencia (raramente un pintor se pregunta qué es la pintura o un músico qué es la música, porque se sabe que son artes que están articuladas sobre un lenguaje diferente). Pues bien, esto generó una serie de respuestas que fueron derivando después, creo que por obra de los propios escritores, en el planteamiento de que la definición de literatura tiene mucho que ver con la forma en que quien lee construye el texto.

(...)
(ver todo o texto)
posted by George Cassiel @ 4:16 da tarde   0 comments
Plagio
A propósito de má literatura, importa ler a perspectiva de Eduardo Mendoza no El Pais de ontem.
O texto aqui.
posted by George Cassiel @ 4:13 da tarde   0 comments
A referência obrigatória
Neste blog tem havido pouco espaço para a música, mas hoje a homenagem é devida:

Morreu Ali Farka Toure.


Notícia do Independent Online:

By Almahady Cisse

Bamako, Mali - Two-time Grammy Award winner Ali Farka Toure of Mali, one of Africa's most famous performers, died on Tuesday after a long illness, Mali's Culture Ministry announced. He was in his late 60s.

Toure played a traditional Malian stringed instrument called the gurkel, and was best-known overseas for his 1995 collaboration with American guitarist Ry Cooder on "Talking Timbuktu," which netted him his first Grammy.

He won again this year in the traditional world music album category for his "In The Heart Of The Moon" album, performed with fellow Malian Toumani Diabate.

Toure died early on Tuesday at his home in the capital, Bamako, after a long struggle with an unidentified illness, the ministry announced.

Across the deeply impoverished west African nation of Mali, people mourned Toure's passing and radio stations suspended regular play, sending Toure's signature lilting sounds out over airwaves instead.

Toure was born in 1939 in the northern Sahara Desert trading post of Timbuktu. Like many Africans of his generation, the exact date of his birth was not recorded.

Toure learned the gurkel at an early age, later also taking up the guitar at which he was also accomplished.

He cited many Western musicians for inspiration, including Ray Charles, Otis Redding and John Lee Hooker.

Toure spent much of his older age in his childhood town of Niafunke, which has become a pilgrimage spot for many music-loving Africans and tourists seeking one of the original progenitors of a genre known as Mali Blues. - Sapa-AP
posted by George Cassiel @ 1:41 da tarde   0 comments
quinta-feira, março 02, 2006
Justiça Norte-Americana obrigada a ler maus livros!
Dan Brown acusado de plágio
Processo do “Código Da Vinci” suspenso para dar tempo ao juiz de ler livros implicados 01.03.2006 - 18h52 AFP, PUBLICO.PT

O processo do best-seller “Código Da Vinci” foi suspenso até à próxima terça-feira para dar tempo ao juiz de ler os livros implicados. O escritor Dan Brown começou a ser julgado em Londres a 27 de Fevereiro por se ter alegadamente apropriado do tema central de “O Sangue Sagrado e o Santo Graal”.

O processo deverá durar no total três semanas.

Richard Leigh e Michael Baigent estão a processar a editora britânica de Dan Brown, Random House, por ter plagiado “toda a arquitectura” da investigação que desenvolveram no seu livro de não-ficção “The Holy Blood and the Holy Graal” (“O Sangue Sagrado e o Santo Graal”), de 1982.

“O Código Da Vinci”, que vendeu mais de 36 milhões de cópias em todo o mundo e foi traduzido em 44 línguas, foi alvo de polémica desde a sua publicação em 2003. O Vaticano chegou mesmo a incluir a obra na lista das obras literárias a "não ler nem comprar", acusando-a de ser um "castelo de mentiras".

No centro da polémica está a filha de Jesus, que terá nascido de uma união com Maria Madalena, e a sua descendência. Segundo a obra de Dan Brown, a Igreja Católica tentou por todos os meios, ao longo da História, esconder essa verdade, no sentido de preservar o carácter divino de Jesus. De acordo com Baigent e Leigh, o fio condutor da história faz parte do “tema central” da sua obra e foi roubada por Brown, violando, assim, os direitos de autor.
posted by George Cassiel @ 2:50 da tarde   1 comments
Ainda e sempre
aqui tinha dado nota desta tradução.



"É um dos seus maiores e melhores livros... Um livro que parece tão amplo como a vida, tão amplo e variado que não há duas pessoas que nele possam ler a mesma história." John Updike, na New Yorker

Agora sim, em mãos!
posted by George Cassiel @ 2:31 da tarde   0 comments
Muito bem lembrado...
"La Literatura, por mucho que nos apasione negarla, permite rescatar del olvido todo eso sobre lo que la mirada contemporánea, cada día más inmoral, pretende deslizarse con la más absoluta indiferencia".

VILA MATAS, Enrique, "Bartleby y compañía", Barcelona, Anagrama, 2000.

Lembrado aqui.
posted by George Cassiel @ 9:50 da manhã   0 comments

GEORGE CASSIEL

Um blog sobre literatura, autores, ideias e criação.

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"Este era un cuco que traballou durante trinta anos nun reloxo. Cando lle chegou a hora da xubilación, o cuco regresou ao bosque de onde partira. Farto de cantar as horas, as medias e os cuartos, no bosque unicamente cantaba unha vez ao ano: a primavera en punto." Carlos López, Minimaladas (Premio Merlín 2007)

«Dedico estas histórias aos camponeses que não abandonaram a terra, para encher os nossos olhos de flores na primavera» Tonino Guerra, Livro das Igrejas Abandonadas

 
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