sexta-feira, julho 27, 2007
As gotas da chuva nos lábios

Ouvir, sempre, Tonino Guerra... "quando chovia, gostava que me chovesse na boca."
Amar as palavras assim é estar próximo do Som Original. Do som da Criação.

De criança sempre gostei de canas
e roubava-as do rio
ainda verdes.
Deixava-as depois estendidas ao sol durante todo o verão
e recolhia-as, ligeiras,
como o sussurro dos mosquitos.

Quando no inverno
os ossos estalavam de frio
e os gatos tossiam sobre o damasqueiro
corria até ao sótão
e metia as mãos no meio das canas quentes
ainda com todo aquele sol em cima.


in O Mel, Assírio & Alvim



«Dedico estas histórias aos camponeses que não abandonaram a terra, para encher os nossos olhos de flores na primavera»

in Livro das Igrejas Abandonadas, Assírio & Alvim
posted by George Cassiel @ 2:16 da tarde  
1 Comments:
  • At 8:37 da manhã, Anonymous Meg (sub Rosa) said…

    Belíssimo. Pungente.
    Um grande beijinho.
    Meg

    Ah! George quando vc for ao sub rosa, não deixe de dar um saltinho no meu outro blog só de textos especiais.
    M.

     
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"Este era un cuco que traballou durante trinta anos nun reloxo. Cando lle chegou a hora da xubilación, o cuco regresou ao bosque de onde partira. Farto de cantar as horas, as medias e os cuartos, no bosque unicamente cantaba unha vez ao ano: a primavera en punto." Carlos López, Minimaladas (Premio Merlín 2007)

«Dedico estas histórias aos camponeses que não abandonaram a terra, para encher os nossos olhos de flores na primavera» Tonino Guerra, Livro das Igrejas Abandonadas

 
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